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Parto natural: atualidade ou volta ao passado?

Parto natural: atualidade ou volta ao passado?

Em pleno século XXI, onde a tônica é tecnologia, rapidez e controle, podemos, com uma observação mais cuidadosa, ver grupos de pessoas buscando de forma concreta uma vida mais natural. Hoje é consenso que a alimentação mais naturalista com menos conservantes, aromatizantes e etc. são mais saudáveis; que a vida junto à natureza produz mais saúde; que a vida em família, as conversas na porta da rua e o bate-papo com os vizinhos nos torna mais amáveis, menos agressivos e estressados. Que o leite materno é o melhor e mais saudável alimento para o bebê, também não é mais dúvida para ninguém.

Então, porque que diante de tantas constatações ainda fica difícil para algumas pessoas entenderem as inúmeras vantagens em se incentivar as mulheres a resgatarem para si o prazer e o poder de conduzirem mais naturalmente o nascimento de seus filhos?

Com o grande desenvolvimento da medicina, em meados do século passado, a idéia de um parto domiciliar com uma parteira, e/ou ao lado da melhor amiga ou mãe, passou a ser considerada ultrapassada, arriscada, inconcebível. O bom mesmo seria dar a luz dentro de um bem equipado hospital. A partir daí as pessoas que tinham melhores condições financeiras, as que viviam nas grandes cidades, passaram a ser incentivadas a deixarem de lado a temeridade de se ter um parto domiciliar, transformando assim o parto, a partir de então, em um evento hospitalar. Ora, hospital não é lugar de doente? Gravidez e parto são doenças ou eventos comuns e naturais da vida sexual de uma mulher?

O Brasil é campeão mundial em cesáreas e um dos únicos países do mundo em que a mulher pode escolher seu tipo de parto independente da indicação clínica. Além disso, outros fatores como os financeiros e práticos tem incentivado a marcação antecipada da data de nascimento dos filhos sem ao menos esperar os primeiros sinais e respeitando assim, a hora em que, naturalmente, seus bebês deveriam nascer. É importante ressaltar os imensos benefícios advindos da criação desta intervenção cirúrgica que, quando bem indicada, salva vidas de mães e bebês. Porém, o que se vê hoje em nosso país é uma completa inversão de valores, muitos chegam ao absurdo de dizer que “parto normal, não tem nada de normal, que é animal, agressivo”.

Todo o processo que envolve o parto, desencadeado pela ação do hormônio oxitocina, produzido naturalmente pela mulher em trabalho de parto, desencadeia principalmente as tão desejadas contrações que vão produzir a dilatação do colo do útero e o conseqüente nascimento do bebê. As contrações doem?  Claro que, em algum momento, principalmente no período final da dilatação, elas podem ser dolorosas, mas são completamente suportáveis, por que acontecem de forma intermitente, com intervalos que permitem a mulher relaxar, respirar e se preparar para a próxima, ou seja, compõe um mecanismo perfeito criado pela natureza. Além disso, o fator psicológico influi de maneira decisiva. Uma mulher que tem o desejo de parir seu filho de forma natural e se sente apoiada e incentivada por seu companheiro, obstetra e familiares, tem uma maior chance de conseguir o seu objetivo.

A medicina já comprovou que o parto natural é o melhor para a saúde da mãe e do filho. O bebê tende a nascer mais ativo e a mulher se recupera mais rápido e não precisa se preocupar com o tabu de que o parto normal poderia causar flacidez na sua musculatura perineal e posteriores dificuldades em ter e produzir prazer sexual. Isto não é verdade.

Algumas iniciativas como a criação das “casas de parto”, como já existem há mais de 20 anos em Ceres-Go e a em algumas outras cidades  brasileiras como São Paulo, Recife e outras, objetivam criar um espaço mais agradável, aconchegante, semelhante à como uma residência onde a mulher pode, na companhia de seu companheiro ou alguém da sua escolha, esperar de maneira tranqüila e livre de imposições a chegada do seu bebê, favorecendo assim o desenrolar natural do trabalho de ’parto e nascimento de seu filho. Neste local se encontra a equipe: médico obstetra, neonatologista, parteira, enfermeira, doula que poderão garantir total apoio e segurança durante todo o tempo. Algumas equipes em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e outras cidades disponibilizam às famílias a possibilidade de realizarem seu parto em suas próprias casas, com o apoio da equipe que se dirige até a residência da família ficando lá, com todos os equipamentos necessários para dar toda a assistência ao bebê e à mãe, sendo conhecido como parto domiciliar, como já faziam as nossas avós.

Evidências científicas demonstram que a presença de uma Doula durante o trabalho de parto pode ser decisiva para que a mulher chegue a concretizar seu desejo de parir de forma natural. A Doula é uma mulher, que também é mãe, que já passou por experiências de parto normal e que tem amor à causa da maternidade, disponibilizando assim seu tempo para acompanhar e apoiar afetivamente outras mulheres utilizando técnicas não medicamentosas para o alívio da dor, é uma pessoa que estará ali, ao lado da mulher, agindo de forma harmoniosa com os demais membros da equipe na casa da parturiente e também no ambiente hospitalar. Vide: www.doulas.com.br.

Diante de todas estas evidências, publicadas e divulgadas por instituições como a Biblioteca Cochrane, entendo que o meu dever como profissional de saúde, mulher e mãe é de, baseado em uma melhor compreensão de todos os fatores que levaram o Brasil a essa triste estatística, apoiar todo o esforço do Ministério da Saúde sendo uma incentivadora e apoiadora das mulheres e casais que querem ter seus filhos de forma natural.

As mulheres precisam resgatar a sua coragem e seu poder ancestral, acreditar na sua capacidade de gerar e parir de forma saudável e natural, contribuindo assim para o nascimento de uma família forte e uma sociedade mais humana, menos violenta e mais feliz.

 

Wilma Manduca, fisioterapeuta, doula, acupunturista e mestre em ciências da saúde, atua preparando casais para o parto há 24 anos  em Porto Nacional e Palmas/TO.

 

Publicado no Jornal do Tocantins em 20 de julho de 2008

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